terça-feira, 4 de agosto de 2009

INFANCIA QUERIDA




Sempre achei interessante a fase das descobertas, confesso que a minha fase de descobertas passou de um jeito tão normal que parece que nem passei por ela, fui uma criança comum e como todas as crianças comuns tinha as minhas viagens, primeira só gostava de brincar com bonecas, segunda detestava futebol, terceira adorava salto alto, por isso a facilidade para interagir com meninas e principalmente com minha irmã. Brincávamos de muitas coisas, mas o principal era a brincadeira de vestir bonecas, isso para mim que passava horas costurando minúsculos retalhos, com o intuito de transformá-los em belíssimas pecas de roupas, por vezes atacava de sapateiro, mas com o tempo percebi que essa não era a minha vocação.
Vocação, que palavra bonita, mas confesso que hoje nem sei o que realmente é isso... Nas tardes sozinhas em casa brindávamos nossa solidão com saltos altos, maquiagens, e imaginem só, subíamos em uma pitangueira e imaginávamos que estávamos na nave da Xuxa, isso sim era vida, as vezes passávamos a tarde tentando salvar o mundo, éramos os power ranger, perdidas no mato do fundo de casa. Como era recompensador passar as tardes sozinhas imaginando mil coisas e inventando mundos diferentes, não que hoje não seja surreal também, só que hoje inventamos mundos diferentes, eu no meu, ela no dela, e perdemos aquelas crianças que inventivas sempre conseguiam realizar seus sonhos e principalmente salvar o mundo, hoje no mundo em que vivemos não temos super-poderes e sem somos amados e venerados como a Xuxa e para piorar nem nave pra fugir de tudo isso não temos, temos a nossa madura realidade que por vezes dói mais que levar tiro.
Não pensem que isso é uma reclamação, não é não, sou eternamente grata por ter vivido tudo isso na minha infância com essa mulher maravilha junto de mim, isso é um desabafo da inútil maturidade que vem com o tempo e só atrapalha de sermos felizes para sempre. Por isso vivemos uma vida inteira procurando a felicidade e não encontramos, porque a felicidade verdadeira vai embora com a juventude e passamos o resto da vida a nos enganar, fingindo e querendo ser felizes.
A essa mulher que marcou tanto a minha juventude e a minha infância devoto grande parte do meu amor, do meu afeto, do meu respeito e a cima de tudo a da minha fidelidade, ela sabe e sempre vai saber o quando por mim é amada, assim como por inúmeras vezes ela soube o porquê me retirei de cena, na nossa vida nesse palco iluminado onde apresentamos nossa peça de autoria própria, hoje ela é minha espectadora e por vezes até faz ponta em meu espetáculo, assim como eu também sou apenas espectadora e fã numero 1 dela, e sei que sempre que ela quiser que eu faça ponta na peça da vida dela, estarei lá de braços abertos e com entusiasmo para contracenar com ela.
Mana, dada, nega, bicha, guria, mulher, amiga te amo muito é claro que não poderia faltar aqui um pedacinho de você, porque você faz parte de um pedação da minha vida, e você é tudo quilo que sempre desejei ser e tenho orgulho de saber que você é. Beijos vamos juntos até o fim... Eu volto... Lins Roballo, 12 de maio de 2009.

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