domingo, 14 de março de 2010

SEM DIREÇÃO

Outro dia sem rumo parei na contramão da minha estrada e pensei que talvez estivesse indo rumo adentro na direção contrária de mim mesma. Estática pensei que se retomasse o rumo, encontraria voltando para trás a direção correta, mas engano, triste engano, o caminho já não era mais o mesmo, as arvores já cansadas da calmaria, ou quase desistindo do enraizamento estavam tortas, nem o asfalto era liso e perfeito.

Percebi que estava sem direção, sem rumo certo, perdida não no caminho mas em mim mesma. O caminho que antes era um hoje é outro e mesmo que tente retroceder, ainda assim não será o mesmo. Confesso que temi por alguns instantes que havia me perdido ou me encontrado em um grande labirinto, mas ao olhar pelo retrovisor vi que era eu que estava ali, mas algo me chamou a atenção, haviam rugas, fissuras no meu rosto que antes não havia notado, ou será que antes não existiam?

Refletindo sopre minha confusa condução, e perplexa com minhas “ruguinhas” toquei a buzina para ver se me encontrava em estado de sono, mas nada, estava mesmo acordada, em choque e perdida. Quis jogar a corda e faltou metragem, quis puxar o freio de mão, mas não revisei o carro antes e não funcionou, quis voltar o caminho e já não era mais a mesma, e agora?

Voltar nem sempre é a solução, parar não é aconselhável, acordar às vezes ajuda, quando se está realmente dormindo. Sempre temos receios medos, medinhos, medões e sempre temos as alternativas, algumas vezes ou por muitas vezes erramos nas escolhas, mas na tacada final pode ser que no chute a alternativa esteja certa, como vamos saber? Na vida o gabarito, às vezes, custa a estar disponível e em algumas situações a prova só será corrigida depois de anos e daí você já até esqueceu que resposta marcou.

Por isso sempre que estiver diante da bifurcação, e que seja necessária a escolha por falta de sinalização, deixe de lado a moeda, esqueça o “mamãe mandou escolher...” e seja prudente, siga a intuição! Por que, pode parecer demagogia de alguém que se perdeu e está querendo dar lição, mas todas as escolhas que fizer hoje, só serão refletidas bem mais tarde, e quando digo a um adolescente que as escolhas dele hoje o farão um bom ou mal adulto estou dizendo que, se na neblina estiver difícil ver as alternativas e é impossível seguir a intuição, aguarde, pois não há forte chuva que um dia não passe, não há terremoto que um dia não cesse e não há coisa que o tempo não derrube, pois ele é paciente... Beijus eu volto. Lins Roballo 15 de março de 2010.
Música, o alimento da alma

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