Mesmo que tente, e sei que inúmera vez conseguirá, não deixará de lembrar-se de mim, dos meus abraços, dos braços que te acolheu, das promessas que fizemos e das juras que não cumprimos, mesmo que anos se passem e que teu corpo perca o meu cheio, que teus lábios esqueçam minhas mordidas e que teus ouvidos ensurdeçam a presença de minha voz, ainda assim você vai lembrar-se de mim.
Quantas vezes inócuas, escondidas, inertes e perdidas, tentamos lembrar e mesmo assim, não conseguimos, o tempo apaga, mas mesmo assim devolve, a memória, assim como a idade, envelhece e perde o poder de registro.
Você vai lembrar-se das coisas boas, e talvez, esquecer as palavras maldosas proferidas por mim, você vai lembrar-se do brilho dos meus olhos, mas irá apagar os olhos vermelhos de raiva, e enrugados do tempo, você irá recordar do meu toque em sua pele, mas esquecerá dos hematomas muitas vezes deixados por vontade própria.
Lembra de mim, mesmo que queria, e que digas que me esquecerá, será difícil crer, que nosso amor, tão estranho, tão revolto, tão confuso tenha se apagado com o tempo, porque o tempo pode afastar as lembras ruins, mas tem dificuldades de escoar, por entre os dedos o que foi tão grande, muitas vezes maior que nós, e jamais mesmo que você queira, não deixará, de não “lembrar de Mim...” das coisas lindas que escrevi nos muros e ruas por onde eu sabia que você passava, das arvores que em conjunto tatuamos com um estilete...
E mais uma vez... Você irá lembrar-se de mim... E sei que não estarei ai ao seu lado, nem te darei flores e frutos, porque nosso amor não germinou como pensaríamos que iria ser, e você não será mais meu, nem serei sua, mas ainda assim lembrarei-me de você, como você LEMBRA DE MIM... Beijus eu volto!!! Lins Roballo. 25 de março de 2010.
Outro dia sem rumo parei na contramão da minha estrada e pensei que talvez estivesse indo rumo adentro na direção contrária de mim mesma. Estática pensei que se retomasse o rumo, encontraria voltando para trás a direção correta, mas engano, triste engano, o caminho já não era mais o mesmo, as arvores já cansadas da calmaria, ou quase desistindo do enraizamento estavam tortas, nem o asfalto era liso e perfeito.
Percebi que estava sem direção, sem rumo certo, perdida não no caminho mas em mim mesma. O caminho que antes era um hoje é outro e mesmo que tente retroceder, ainda assim não será o mesmo. Confesso que temi por alguns instantes que havia me perdido ou me encontrado em um grande labirinto, mas ao olhar pelo retrovisor vi que era eu que estava ali, mas algo me chamou a atenção, haviam rugas, fissuras no meu rosto que antes não havia notado, ou será que antes não existiam?
Refletindo sopre minha confusa condução, e perplexa com minhas “ruguinhas” toquei a buzina para ver se me encontrava em estado de sono, mas nada, estava mesmo acordada, em choque e perdida. Quis jogar a corda e faltou metragem, quis puxar o freio de mão, mas não revisei o carro antes e não funcionou, quis voltar o caminho e já não era mais a mesma, e agora?
Voltar nem sempre é a solução, parar não é aconselhável, acordar às vezes ajuda, quando se está realmente dormindo. Sempre temos receios medos, medinhos, medões e sempre temos as alternativas, algumas vezes ou por muitas vezes erramos nas escolhas, mas na tacada final pode ser que no chute a alternativa esteja certa, como vamos saber? Na vida o gabarito, às vezes, custa a estar disponível e em algumas situações a prova só será corrigida depois de anos e daí você já até esqueceu que resposta marcou.
Por isso sempre que estiver diante da bifurcação, e que seja necessária a escolha por falta de sinalização, deixe de lado a moeda, esqueça o “mamãe mandou escolher...” e seja prudente, siga a intuição! Por que, pode parecer demagogia de alguém que se perdeu e está querendo dar lição, mas todas as escolhas que fizer hoje, só serão refletidas bem mais tarde, e quando digo a um adolescente que as escolhas dele hoje o farão um bom ou mal adulto estou dizendo que, se na neblina estiver difícil ver as alternativas e é impossível seguir a intuição, aguarde, pois não há forte chuva que um dia não passe, não há terremoto que um dia não cesse e não há coisa que o tempo não derrube, pois ele é paciente... Beijus eu volto. Lins Roballo 15 de março de 2010.
Sempre tive em minha vida uma postura muito madura sobre certos assuntos, confesso que algumas vezes equivocadamente precipitei-me sobre certas escolhas, não que havia feito as escolhas erradas, de forma alguma, o equivoco estava localizado no tempo.
Algumas vezes fiz escolhas certas em tempos errados, outras vezes as escolhas erradas no tempo certo, porque mesmo que as escolhas sejam certas ou erradas, são escolhas e devemos manter certa fidelidade com o nosso perfil.
Não dizendo que essas escolhas poderiam estragar a minha vida inteira, mas fariam parte de mim por algum tempo... Tipo... O pudim do domingo depois daquela churrascada acompanhado de dois copos de cerveja e uma farofa deliciosa de bacon e calabresa... Era a coisa deliciosamente certa na hora errada... Mas fazer o quê? Nem sempre é como agente pensa ou quer.
Sempre disse para minhas amigas que escrevia melhor na depressão, mas nesses dias não ando depressiva, ando até de bem comigo mesma, reclamar da vida, do cotidiano de certa forma faz parte do meu perfil. Apaixonada, acho que não me encontro em tal estado, estou naquela faze de crença, creio em mim, creio em meus ideais, creio que...
Crer nem sempre é fácil, porque para se chegar a essa realidade da crença demorei bem mais do que quando descrente em mim me perco nos meus sentimentos, confusos sentimentos. Nem mesmo solitária me sinto só, me faço feliz, é não curto balada, não curto agito, não curto bagunça... Depende também, curto um agito social com amigos, discretos, se bem que eu não sou nada discreta, discrição é uma palavra que não existe no meu vocabulário, curto um barzinho, voz violão, uma bebidinha um cigarro na mão e aquele amigo bom de papo, ai to céu.
Não curto TV, mas um filminho, desenhos animados, me fazem chorar pacas, não o desenho em si, mas a mensagem que eles sempre trazem, não sei se isso foi falta de infância, mas que eu me lembre minha infância sempre foi boa. Curto doce, salgado, café e pipoca. Ta, não sou um modelo de perfeição corporal, mas me viro bem no quesito sedução. Curto sim umas saladas, mas o que me falta mesmo é tempo, às vezes percebo que até falta tempo para mim mesma.
As flores são imprescindíveis para uma primavera linda, sem elas não tem aquela sensação de amor, de carinho, confesso, que nunca recebi flores, ganhei amores, ganhei presentes, mas flores faltam a minha lista, mas ainda tenho a esperança de telas no meu quarto postadas em minha frente vivas como a paixão, pena que morrem com o passar do tempo... Como a paixão... Beijus eu volto. Lins Roballo, 13 de março de 2010.