Sempre gostei de ser diferente... Porém nunca havia vislumbrado na minha infância que ser diferente causaria em mim dores terríveis e cortes tão profundos que demoram em sumir... Mesmo assim não deixei a peteca cair, busquei sim me esconder atrás de algumas máscaras, mas como acontece com todas elas acabaram caindo e me revelando...
Não posso negar que no começo senti uma sensação de estar em um circo onde seria uma das atrações principais... Todos previsivelmente esperavam de mim uma reação totalmente adversa da que tomei... Derrepente eu poderia ter pirado na batatinha... Poderia estar viajando na maionese, delirando com algo que não existe... E se existisse realmente deveria então ser escondido, posto no porão de mim mesma...
Queriam que escondesse toda a juventude, a beleza, a inocência de ser eu mesma... Queriam me mascarar mais uma vez pensando que com isso me segurariam e apagariam essa idéia maluca... Dei sim a cara a tapa, mostrei a fuça na sociedade, comecei a manobrar a minha vida sozinha, no inicio meio perdida sem saber que rumo tomar, que passos seguir ou que coisas pedir...
No principio demorei a acertar o alvo, mas com o tempo descobrimos que é mais fácil acertar quando estamos sozinhos do que quando tem mil pessoas te dizendo onde mirar... E é tão engraçado que quando você acerta sozinha quer comemorar com todos, mas está só e isso implica em apenas sorrir e pensar que se está fazendo certo... A ingenuidade colocada em cheque, o pudor que some e nos libera, o medo que nos adrenaliza e a verdade que nos dá liberdade de refletir pensar e transgredir...
Sei sim que agora estou mais madura, mais consciente, mais livre... Pensar que nada disso me fez feliz é ainda dizer que todos estavam certos e que eu estava errada... É por isso que não escondo mais a cara nas ruas escuras... Não me prendo mais ao passado, sou feliz assim, mesmo que às vezes abandonada, desacreditada, sufocada dentro de mim... Mesmo sem tantas coisas a me proteger, ainda assim sinto-me feliz, vitoriosa e por mais que estiver só ainda tenho a mim mesma e minha história... Lins Roballo... Beijos eu volto!

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