terça-feira, 27 de março de 2012

COMU NI CAR SE – GERAÇÃO Y


            Já estamos todos bem acostumados com a nova vida, a nova geração, as novas formas de comunicar e dizer quem somos, mas algo ainda está estagnado neste novo limiar da vida pós pós-moderna. Vivemos a 5ª revolução, que anda bem longe da revolução industrial, vivemos a revolução digital, a revolução em rede, a rede da revolução que dia após dia, discute em mega bits o que será do mundo daqui a segundos, não mais contamos o tempo em dias, semanas, meses ou anos, o tempo meus caros é contado por velocidade, mega proporções digitais, em fibra ótica tudo mais deixa de existir...
            Karl Marx dizia que o mundo é voraz e veloz e que na inculbência da imaturidade humana, nunca estaríamos preparados para a vida! Isso dito a muitos anos atrás, onde a comunicação era feita por telegramas entregues por homens a cavalo em um tempo onde a comunicação era feita com meses de antecedência. Hoje porém nos vemos as margens de um tempo onde comunicar-se é necessário! Não tem como viver o mundo da tão aclamada “geração Y” sem ao menos saber enviar um e-mail, e há ainda os que dizem, o e-mail é uma coisa muito anos 90.
            Vivemos a modernidade on-line! Quem não quer ser o vídeo viral da vez, e dar entrevistas para todos os sites mais badalados do momento? Isso mesmo que você leu, “dar entrevistas aos sites mais badalados”, TV é para gente sem conectividade, gente que recebe, mas não comunica! Há na nova era uma necessidade latente de ser alguém, muito mais que antes, podíamos dizer que o capitalismo veloz e voraz que chega e invade como água a nos afoga, encontrou na rede uma nova e repaginada forma de existir!
            Não mais somos julgados por o que consumimos, mas por tudo aquilo que temos, consumimos, produzimos, reproduzimos, falamos e comunicamos ao mundo digital! Democracia é uma coisa que ainda não se sabe se existe nesse espaço, e se existe, como no mundo real, pode ser que demore muito mais que 20 anos (como a do Brasil) para poder enfim organizar esse espaço. Não há regras na rede, há a rede, há os seus velozes e vorazes seguidores que cotidianamente como uma avalanche sem pena enche a tela de meganoticias, e bitsvides e de posturas virtuais, muitas vezes avessas as reais.
        Tudo é efêmero nesse mundo digitalizado, hoje em dia, como dizia o pensador revolucionário e criador do que seria uma teoria sobre os malefícios do capitalismo, não existe concretude onde o que predomina é a subjetividade. Tudo que é sólido se desmancha no ar! Mas como existir solides onde o que impera é a não existência real e concreta, se não somente os megabits, as fibras óticas e a ilusão de que estamos dizendo algo!!!  Beijus eu volto!!! Lins Roballo. 28 de março de 2012.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

DESABAFO...



                Sempre gostei de ser diferente... Porém nunca havia vislumbrado na minha infância que ser diferente causaria em mim dores terríveis e cortes tão profundos que demoram em sumir... Mesmo assim não deixei a peteca cair, busquei sim me esconder atrás de algumas máscaras, mas como acontece com todas elas acabaram caindo e me revelando...
            Não posso negar que no começo senti uma sensação de estar em um circo onde seria uma das atrações principais... Todos previsivelmente esperavam de mim uma reação totalmente adversa da que tomei... Derrepente eu poderia ter pirado na batatinha... Poderia estar viajando na maionese, delirando com algo que não existe... E se existisse realmente deveria então ser escondido, posto no porão de mim mesma...
            Queriam que escondesse toda a juventude, a beleza, a inocência de ser eu mesma... Queriam me mascarar mais uma vez pensando que com isso me segurariam e apagariam essa idéia maluca...  Dei sim a cara a tapa, mostrei a fuça na sociedade, comecei a manobrar a minha vida sozinha, no inicio meio perdida sem saber que rumo tomar, que passos seguir ou que coisas pedir...
            No principio demorei a acertar o alvo, mas com o tempo descobrimos que é mais fácil acertar quando estamos sozinhos do que quando tem mil pessoas te dizendo onde mirar... E é tão engraçado que quando você acerta sozinha quer comemorar com todos, mas está só e isso implica em apenas sorrir e pensar que se está fazendo certo... A ingenuidade colocada em cheque, o pudor que some e nos libera, o medo que nos adrenaliza e a verdade que nos dá liberdade de refletir pensar e transgredir...
            Sei sim que agora estou mais madura, mais consciente, mais livre... Pensar que nada disso me fez feliz é ainda dizer que todos estavam certos e que eu estava errada... É por isso que não escondo mais a cara nas ruas escuras... Não me prendo mais ao passado, sou feliz assim, mesmo que às vezes abandonada, desacreditada, sufocada dentro de mim... Mesmo sem tantas coisas a me proteger, ainda assim sinto-me feliz, vitoriosa e por mais que estiver só ainda tenho a mim mesma e minha história... Lins Roballo... Beijos eu volto!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mataram uma mulher

Mataram uma mulher ali na esquina
Mataram sem avisar, sem ao menos deixar suspirar...
Mataram o sonho feminino da mãe que ainda estava por vir

Mataram a mulher ali na esquina
Mataram a presença de uma santa sentida na pele da menina
Mataram o motivo da vida, sem vida e sem medo

Mataram a mulher ali
Mataram sem um sentido, olhando ela sorrir
Mataram o passado, que com ela se apagou.

Mataram a mulher
Mataram a colheita, a planta, o fruto e a estação
Mataram como um bicho criado para o alimento

Mataram ela
Mataram e nem se preocuparam se tinha nome, rosto ou forma
Mataram sem medo do pecado ou punição

Mataram
Apenas isso
Apenas uma
Apenas ela
Apenas ...

Mataram todas as mulheres que ela poderia ser
Mataram a menina
Mataram a mãe
Mataram a tia
Mataram a avó
Mataram a madrinha
Mataram a santa
Mataram a mulher.



Lins Roballo

Professora
Assistente Social
Mestranda de Ciências Sociais




20 de janeiro de 2012 – São Borja/RS