quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

CHEGADAS E PARTIDAS



                Nem todos os portos são realmente de repouso. Nas minhas chegadas descubro que tudo pode ser novo de novo, e a renovação trás a nós novas perspectivas e possibilidades de nos reconhecer e conhecer. Nem todos os portos são para descanso, mas podem nos transformar de um todo.

            Quem presa pela partida nunca sabe o que encontrará em outros lugares, quantas vezes mais teremos que deixar nossas seguranças para trás para poder enfim ser feliz? Esses dias conversava com um grande amigo, talvez o único que me fez entender de fato o significado doloroso da palavra “saudade”, o único que de fato me fez chorar a sua partida, e pensar sobre essas necessidades mundanas de cortar e separar o cordão umbilical de uma mãe e seu filho.
            Nem sempre nossas partidas são tristes, muitas vezes solicitadas por nosso interior. Partir nem sempre é tão gostoso, partir é amargo, vazio e silencioso. Nem sempre o gesto de partir é efetivamente consumido pela dor... Muitas vezes partir é um fato sem qualquer sentido complexo e completo.
            Descubro nessas minhas partidas, que com o tempo você passa a não dar mais adeus com o peito em prantos, e nem ao menos com paciência de apertar e solicitar a volta. O mesmo ocorre com a chegada... Torna-se tão corriqueira em nossas vidas que chegar é como estar novamente sem nunca ter de fato saído.
            Quantas vezes em nossas vidas chegamos e partimos e despercebemos o instante mágico do espaço e do tempo? Se partimos, percebemos que tempo foi tão longo que a dor cessou de tanto esperar pela volta, e quando voltamos em um espaço de segundos cortamos o espaço do tempo distante como um corte em um filme e temos a sensação de que o tempo distante não existiu e apagou-se quando os olhos se entrecruzaram...
            Espero mesmo que chegar e partir não perca a emoção do instante, pois meu medo maior não é a falta de emoção, mas sim a falta de um “eu” ali dentro que se perdeu nessas mudanças, junto com os objetos que se perdem no tempo e nas chegadas e partidas. Pois quando perder esse “eu”, penso que o tempo não se corte mais e as emoções acabam por perder os seus sentidos dolorosos e amargos que transformam a “saudade” na vontade de sempre retornar. Beijus eu volto... Lins Roballo. 01 de dezembro de 2011.