segunda-feira, 26 de setembro de 2011

VAZIO


Não sei se fui consumida por uma falta de mim mesma, a ponto de não encontrar se quer uma linha de emoção para escrever, longe de casa, agente prende a escutar mais a voz da nossa mãe, mesmo que mentalmente. Temos a obrigação de preocupar-se em manter a tradição do nosso interior, olhar pela janela do novo quarto e achar algo lá na cidade de pedra que relembre a doce vida junto a minha família.

Não me sinto morta, sem vida, me sinto vazia, nem todos os dias são perfeitos de onde eu vim, mas essa sensação de vazio aconteceu aqui, agente só sente o sentido da dor da saudade quando estamos em frente ao portão de casa, prestes a embarcar e tem aquele aperto, uma sensação inexplicável, uma sensação que palavra nenhuma pode descrever se não a “saudade”.

O vazio acompanhado da saudade é como um companheiro indispensável, com ele que agente aprende a valorizar as brigas cotidianas com os irmãos, as cobranças fervorosas de nossa mãe, a falta de compreensão, a disputa por espaço e atenção, essas coisas todas perdem o sentido, e esse vazio torna-se algo realmente dolorido.

Com o tempo como ouvi dizer uma vez, agente aprende a “dolorir”, que nada mais e que colorir a dor e transformá-la em algo um pouco mais fácil de ser aceito... ainda acho que não encontrei a forma certa de dolorir a minha dor, e fazer dela algo menos vazio e menos saudosista, mas acredito, um dia aprendo a formula e o vazio começará a ser preenchido... enquanto isso vou olhando pelo quadrado da janela e buscando algo que possa trazer essa saudade a tona e que esse vazio então encontre uma boa desculpa para existir... beijus eu volto... Lins Roballo 26 de setembro de 2011.