
Existe um interior em mim que nunca vai se apagar, a vontade de ficar a sombra de uma árvore repousando a ouvir os pássaros, ou então a proteção de uma casinha velha que repousa observando as mudanças avassaladoras que ocorrem ao seu redor.
Muitas vezes a agitação das ruas perigosas da cidade grande, das sinaleiras que custam a abrir e a fechar, das ruas que não possuem fim e se perdem entre curvas e esquinas cada dia mais perigosas, nesses dias, nesses espaços é que a presença do interior em mim se faz forte.
Quem pode imaginar as inúmeras vezes que cansadas da vida parada, do marasmo e da lentidão que tudo acontece em nossas vidas no interior, queremos um pouco mais de cidade grande, de festas de segunda a segunda, de bares que nunca se fecham e shoppings que vendem tudo o que nosso desejo pode possuir.
O interior em mim é algo forte, que pulsa, a vontade de ver o sereno molhando as roupas vagarosamente, de ver a serração de clareia nossos olhos, de ver a chuva que molha a rua e libera aquele cheiro de bem estar, de aconchego e carinho.
Ouvir os pássaros é um sinal de que o interior existe, e que aqui ele anda apagado, três Marias, coisa que descobrimos no céu do interior, deitados olhando para o infinito ao lado de amigos que nos fazem bem, aqui não existe céu, pouco existe estrelas, aqui existem arranha-céus, que se perdem no infinito onde os olhos podem ver, mas não encontram sentido...
Mais uma vez encontro-me desconfiada sobre minhas escolhas e meus caminhos, mais uma vez percebo que o interior em mim é algo que temos que aprender a manter vivo, pois esse interior é algo que me faz feliz, como degustar uma laranja olhando para a rua parada, vendo os passos lentos das ruas pedregulhosas, e o som dos pássaros embalando lentamente o sono que surge aos poucos com o poente do sol. Beijos eu volto. Lins Roballo. 03 de junho de 2011.