Dizem que aos trinta tudo é novo, que os trinta são os novos vinte, e que a juventude e adolescência se alongaram de tal forma que hoje em dia, ter trinta é como ser um halterofilista de vinte em plena forma e juventude física. Não sei se me encaixo na forma ou na juventude física, talvez nem o quisesse se é que isso é possível, com tanta porcaria que a cada dia inventam, as gostosuras do século vinte e um estão mais ligadas a doces cada dia mais doces e menos naturais, a intimidades menos intimas, como um “posso beijar sua boca?”, vivemos uma vida desregrada com regras rigorosíssimas.
Nada além da monotonia cotidiana é melhor do que olhar o mundo em seu cubo de cores misturado, e quem consegue montar essas cores tão distintas? Eu falo do mundo e em muitos textos meus verás um mundo só meu, e mesmo assim poderá transportá-lo para si e chorar como eu chorei quando o escrevi. Tudo é fato, e mesmo assim é inusitado, “como será o amanhã?” ninguém mais pergunta? E ninguém pretende dar essa resposta.
Hoje aqui sentada enfrente ao meu PC, e como muitas vezes disse, olhando sua tela fosca e seu teclado empoeirado, percebo-me temerosa, há um mundo lá fora me aguardando e meu coração diminuído não consegue imaginar o inimaginável, arrumando minha mala derrepente e finalmente transporta-me a ele, a esse mundão de Deus, vem aquele gosto do inesperado, vem o medo, o medo que tenho que ultrapassar para não sucumbir como querem meus adversários.
Ainda sinto o peso das responsabilidades cotidianas, comida dos gatos, comida da casa, irmãos indo às aulas, conselhos finais e logo, logo é chegada a hora de entregar a chave da caixa de pandora e abandonar como um elfo perdido a proteção da floresta e então descobrir-me por inteiro, e será que dará certo? e se não der? Meus planos nem eu sei.
Trabalhei nesta instituição família por quinze anos, doei de mim o melhor, fui julgada, agradecida, fui corajosa, tomei as rédeas junto de minha mentora “minha mãe” e segui firme, tenho a certeza que minhas escolhas nem sempre foram às certas a serem tomadas, mas confesso que foram as necessárias, dei meu sangue por essa empresa, sei que nem tudo o que fiz foi efetivamente concreto, mas a tentativa valeu-me o aprendizado.
Será que esse tipo de trabalho é bem valorizado no mundo ai fora, nem sei se o mundo vai me assimilar e entender, nem sei se eu vou saber compreende-lo, tenho os meus sombrios medos, a solidão é um dos pontos que mais me apavoram, espero que não me assuste essa companheira dos guerreiros, espero que dela nasça à força de vontade e que com elas possa ser vitoriosa, porque como sempre digo ao final dos meus textos. Eu Volto!!! Lins Roballo 10 de março de 2011.