sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A PITANGUEIRA

Sempre fui apegada a coisas pequenas... Uma tarde ao lado da minha familia, conversas acompanhadas de um bom chimarrão e banhada de muitas lembranças, encoberta de inúmeras gargalhadas ou copiosas lágrimas...
A maturidade traz consigo aquele gostinho amargo de que alguma coisa perdeu-se no caminho...Meus irmãos não se reúnem em baixo da pitangueira a conversar... Enquanto olhávamos a vidinha pacata passando por nossos olhas... O tempo é curto... Os compromissos exigem mais... Às vezes me arrependo de ter pedido com tanta vontade de ser adulta, por que sinto que muito deixei para trás, e acho, ou temo não recuperar mais...
Não sei se é realmente para ser assim, mas a maturidade... Sabe ela me deixou mais apegada. Tanto ouvi que deveria praticar o desapego para crescer na vida, que hoje tenho saudades, só isso mesmo... Saudades...
De ouvir a Denise escutando Raul Seixas, Gun’s, Raça Negra ou Roxette... De ver o Tiago jogando bolita no pátio, de sentir os braços medrosos, que tanto pediam proteção da minha Taiara... Lembrar do Tierre rosadinho entrando pela porta... E nossa hoje ele é um meninão... Todos somos adultos e muito de nós se perdeu... Derrepente era necessário para que nossa história fosse feita e realizada...
Hoje relembro das tantas pessoas entraram pela porta da frente da minha casa, e que mal ou bem, fazem parte da nossa vida... Muitas foram, muitas continuam vindo, tantas outras precisam vir, para descobrir que deste castelo, muitos reis e rainhas saíram, mas mesmo assim... Ainda sinto aquela faltinha incomoda, que às vezes como feridinhas abertas insistem em doer cada vez que insistentemente resolvo cutucar nelas...
Então é isso, faço agora um movimento ao contrário e tenho que recomeçar a praticar o apego... E nossa rezo para que isso me deixe mais feliz, sei que não posso mais voltar atrás e trazer o que já passou, mas derrepente posso melhorar o meu final...
Nessa passada de ano sentei-me em frete de casa e a vi cheia, mas imaginei dolorosamente, que daqui mais alguns anos isso não esteja acontecendo, emocionei-me, pois ali estavam os novos, os antigos em plena confraternização, mas ainda faltava um pedacinho do nosso céu, mas um dia sei que tudo estará novamente grudado... E quem sabe sentamos embaixo da pitangueira junto com a mãe, tomando um mate, escutando música, observando os meninos jogando bolita, gargalhando da nossa velhice e relembrando as nossas peripécias na juventude... Vou aguardar ansiosa... Beijus eu volto... Lins Roballo. 01 de janeiro de 2010.
Uma musiquinha para acompanhar